Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
História de Vila do Conde

 

 

 

   Data do ano de 953 a primeira referência documental, conhecida, à villa de comite. Trata-se de uma carta de venda , feita por Flâmula Devota ao Mosteiro de Guimarães, das suas salinas, pesqueiros e propriedades que possuía no Castro de S. João, hoje Monte do Mosteiro. Tudo indica ter sido este o local, onde se devem ter fixado os primeiros habitantes, ou pelo menos o seu lugar de reunião, pois a carta de Flâmula já refere ali a existência de uma igreja.

   Uma história de amor faz com que a Vila da Foz do Ave se encontre, nos primeiros anos do século XIII, na posse de D. Maria Pais, a Ribeirinha, por quem o rei D. Sancho I se apaixonou. Será uma tetraneta sua, D. Teresa Martins, casada com Afonso Sanches, filho ilegítimo do rei D. Dinis, quem fundará o Real Mosteiro de Santa Clara, no ano de 1318, instituição que se destinava ao amparo das fidalgas pobres em primeiro lugar, das ricas em segundo, e só na falta delas se poderia admitir outra gente. As clarissas que ocuparam a sua casa até ao decreto liberal que extinguiu as ordens religiosas exerceram um grande poder e domínio quer a nível local quer no Norte do país. No séc. XVIII traduzindo esse poderio, inicia-se a construção de um novo e imponente edifício, que nunca se chegou a concluir. Entretanto, nos primeiros anos deste século, o Mosteiro é transformado numa escola de correcção para menores.

   A "Vila" alcança a idade de ouro na época das grandes navegações. Beneficiando da sua localização, com uma industria de construção naval bastante desenvolvida, os vilacondenses vão participar, activamente, nas viagens das Descobertas. Roteiristas, pilotos, marinheiros, evangelizadores e toda uma plêiade de homens vai embarcar na aventura que permitiu o conhecimento de novas civilizações, novas raças, novos costumes. Vasco da Gama, na sua viagem à Índia, leva na tripulação dois vilacondenses: Paulo e Francisco Faria. Consequência do fulgor económico que então se vivia, ergueu-se o grande marco quinhentista da Vila: a Igreja Matriz, dedicada ao padroeiro S. João. A Vila vestiu-se de novos arruamentos, com novas Praças, com novas casas de portas e janelas recortadas de que ainda hoje existem numerosos exemplares. Ainda no séc. XVI se levantam outras importantes construções: a Igreja, a Casa e Hospital da Misericórdia, a Igreja e Convento da Encarnação, hoje conhecido com S. Francisco, a Capela de S. Roque, Santo Amaro, Santa Catarina, o Pelourinho e o Edifício dos Paços do Concelho. Terá sido também na centúria de quinhentos que as mulheres vilacondenses tiveram conhecimento daquela que hoje é tida como a sua manifestação artesanal mais emblemática: as Rendas de Bilros.

   Na paisagem de Vila do Conde outros edifícios merecem atenção. Refira-se a Capela do Socorro, mandada edificar no séc. XVII por Gaspar Manuel, piloto-mor da carreira da Índia, China e Japão. Também a Idade do Barroco está bem representada na malha urbana vilacondense. É bom exemplo dessa representação a Igreja de Nossa Senhora da Lapa, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo no Largo do Laranjal e o Aqueduto que transportava a água desde Terroso. Destaca-se ainda um conjunto de casa disseminadas pelo núcleo antigo.

   O século XIX trouxe até cá as Invasões Francesas, que segundo notícias da época, causaram grandes danos à população. Passada a segunda metade do século, inicia-se a caminhada até à praia, materializada na abertura das Avenidas Bento Freitas, João Canavarro e Sacadura Cabral. Mediando as duas novas artérias, surge o maior jardim da cidade, dedicado ao Presidente da Câmara que ordenou a sua construção: Júlio Graça. Abre-se a primeira casa de espectáculos sediada no teatro Afonso Sanches que também serviu de Salão de Jogos. Mas, a jóia do Bairro Balnear é, sem dúvida, o Casino que, em Julho de 1918 abre as suas portas. Este edifício encontra-se ocupado, actualmente, com o Centro Municipal da Juventude, tendo também acolhido nas suas instalações duas instituições de ensino.

   Neste breve apontamento sobre quase dez séculos da História desta Vila, que é cidade desde 1987, não se poderia deixar de fazer uma alusão muito especial a artistas e homens de letras que nela nasceram ou viveram: Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, Sónia e Robert Delaunay, José Régio, Júlio Saúl Dias, Joaquim Pacheco Neves, Ruy Belo, entre outros.


sinto-me:

publicado por vilacriativa às 12:58
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2 comentários:
De Cátia a 13 de Abril de 2008 às 17:41
Olá. Visitei o vosso vlog e pareceu-me muito interessante. Como estou a fazer interessada nas tradições de Vila do Conde, gostava de saber se me poderiam dar algumas indicações bibliográficas, ou sites que possa consultar sff.
Obrigada. Vou passando para ver se postaram algo que me possa ser útil.
Parabéns pelo blog.


De Paulo da Silva a 31 de Outubro de 2009 às 11:51
Olá!
Estou a tentar reunir alguma informação sobre o passado da minha freguesia, Arnoso Santa Maria. Contam os mais idosos que por esta terra seria atravessada uma estrada que ligava Vila do Conde a Braga. Parte desta via ainda existe, e junto da mesma tem um cruzeiro do Sec. XVI e que marcava um caminho de Santiago. Mas não encontro qualquer documento que prove a existencia desta via. Tem conhecimento da existencia desta estrada que nascia em Vila do Conde?


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Receita da Semana
Pastéis de Santa Clara (meias luas) * Recheio 10 gemas de ovos de galinha 100 gr. de amêndoas 250 gr. de açúcar Massa 300 gr. de farinha de trigo 2 colheres de sopa de açúcar 2 colheres de sopa de manteiga 1 pitada de sal Feita a massa estende-se e divide-se em várias partes. Em cada uma destas partes deita-se um pouco de recheio. Depois fritam-se em azeite muito fino onde se deve ter deitado uma casca de limão. Finalmente, polvilham-se os pasteis com açúcar pilé ou areado.
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